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Japão planeja construir usina solar no espaço

Novas Tecnologias
JORNAL DA ENERGIA
São Paulo, 09 de Setembro de 2009 - 17:57
Por Milton Leal

Japão planeja construir usina solar no espaço

Empreendimento de 1GW precisará de US$21 bilhões para ser lançado a espaço.

O Japão vai colocar US$21 bilhões no espaço. Cada centavo deste gigantesco investimento será destinado para viabilizar um empreendimento de energia solar que será instalado no espaço sideral, terá 1GW de potência e enviará eletricidade para a Terra sem a utilização de cabos. O prazo para entrada em operação da usina é do mesmo tamanho que a magnitude do projeto: 30 anos.

À frente do intento está a USEF, empresa do governo japonês que estuda sistemas espaciais não tripulados. A agência espacial japonesa, JAXA (na sigla em inglês), e mais 16 companhias privadas também constituem a equipe de especialistas e investidores que estudam a implantação da central solar.

A intenção dos cientistas é colocar em órbita, até 2015, uma planta de 100kW de capacidade como prova de que o projeto pode dar certo em larga escala. Outras duas fases, que compreendem o lançamento de uma usina de 10MW e outra de 250MW, antecedem a fase final que é a instalação completa do projeto de 1GW, que seria capaz de abastecer cerca de 300 mil casas em Tóquio.

O sistema consiste em um grande painel de geração e transmissão suspenso por um conjunto de cabos presos a um ônibus espacial localizado acima do painel (conforme mostra a foto). A superfície superior do painel é coberta com células solares, enquanto que a superfície inferior é composta por antenas em fase e mais células solares.

Sem as variações climáticas e distorções geradas pela atmosfera, os painéis poderão ser muito mais eficientes que uma estrutura de tamanho similar montada em solo. A energia seria transmitida a estações no solo usando uma tecnologia parecida com a emissão de calor dos aparelhos de microondas.

As estimativas acerca das emissões de CO2 desta planta apontam que o volume de dióxido de carbono jogado na atmosfera é similar ao de uma usina nuclear e bem menor que o das termelétricas a carvão e a óleo.

“Isso parece ficção científica de desenho animado, mas geração de energia solar no espaço pode ser uma alternativa significativa no próximo século enquanto os combustíveis fósseis desaparecerão”, diz o diretor do Instituto de Economia e Energia do Japão, Kensuke Kanekiyo.

Para transportar painéis solares para a estação espacial, que ficará a 36 mil quilômetros de distância da superfície terrestres, os japoneses terão que reduzir os atuais custos de lançamento de objetos em cerca de 1000%, segundo o CEO da Excalibur KK, que é a base espacial japonesa.

Outro país que estuda energia solar espacial é os Estados Unidos. A NASA e o departamento de energia gastaram US$80 milhões nas últimas três décadas em pesquisas de geração de energia solar no espaço, de acordo com um relatório do escritório de segurança espacial norte-americano.
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