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Energia da queima do lixo custaria cerca de R$180/MWh

Fontes de Energia
Energia da queima do lixo custaria cerca de R$180/MWh
REVISTA SUSTENTÁVEL – 24/08/2009 por Fernanda Dalla Costa

A usina piloto de geração de energia por meio da queima de resíduos domésticos e industriais, instalada na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, poderia vender energia a R$180 por MWh a partir da queima de 150 toneladas de resíduos/dia, informou o diretor do empreendimento, Luiz Carlos Malta.

No entanto, o empreendimento, conhecido como Usina Verde, ainda não saiu do estágio de teste, em virtude da falta de financiamento para expandir e melhorar o sistema, cuja tecnologia é importada da Alemanha, disse Malta. Ele e mais três sócios investiram cerca de R$37 milhões no projeto, nos últimos cinco anos.

A idéia deles é vender o projeto comercialmente, aproveitando a brecha na legislação que permite desconto nas tarifas de transmissão e distribuição. Assim, o projeto torna-se mais competitivo nos leilões de energia do governo, onde as fontes térmicas têm um preço teto de R$148 por MWh.

"Apesar de muitas autoridades políticas terem visitado a usina, ainda não houve interesse real em reproduzir o modelo", disse Malta, reafirmando que a usina não só pode gerar eletricidade, mas também, oferecer uma solução para a destinação do lixo nas cidades.

A usina produz cerca de 130MWh por mês com a queima de 30 toneladas por dia e opera apenas três dias por semana. A eletricidade é consumida pela própria usina. A Usina Verde é um dos poucos empreendimentos de aproveitamento energético a partir de resíduos no Brasil. Diferentemente dos projetos de queima de metano, oriundo dos aterros sanitários, este queima o lixo diretamente em caldeiras, aproveitando o valor calorífico dos resíduos, plásticos e até lixo orgânico.

"A quantidade de energia gerada depende da composição e umidade do resíduos", disse Malta. "O melhor é o plástico contaminado, porque possui resíduos orgânicos misturado."

Atualmente, a usina processa cerca de 30 toneladas de resíduos por dia, durante os três dias da semana em que a usina opera, sendo que o material utilizado como matéria-prima não é pago. Segundo Malta, o custo operacional, que inclui o processamento do resíduo, varia entre R$60 e R$70 por tonelada. O protótipo está instalado na área da Fundação BIORIO, no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Além da energia, ele gera cerca de duas toneladas de cinzas por dia, usadas pelos estudantes de engenharia da universidade em pesquisas voltadas para a utilização deste resíduo na fabricação de asfalto e de blocos de cimento, disse Malta.

Quando o módulo trabalha com sua capacidade total, o volume de cinzas produzido é suficiente para a produção de 44.000 blocos de cimento por mês, o que possibilitaria a construção de uma casa de 50 m2 por dia, de acordo com o diretor.

GANHO DE ESCALA

A usina começou a operar em maio de 2009 e tem capacidade de processar até 150 toneladas por dia de resíduos, a fim de gerar 3,3 MWh por hora de energia. Este módulo pode ser multiplicado por quatro, o que significaria processar 600 toneladas de lixo por dia, gerando 12,8MWh por hora. Isto permitiria reduzir o preço de venda da energia para R$160/MWh.

Malta disse que a tecnologia empregada na Usina Verde atende às exigências da Convenção de Estocolmo de 2001, com relação a poluentes orgânicos persistentes (POPs), pois determina a incineração em ambiente fechado, a mais de 800°C de temperatura, com um tempo de residência dos gases de 2 segundos, seguido de tratamento e neutralização dos gases oriundos da combustão.

A atividade também está de acordo com as recomendações do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Nacões Unidas, de 2007, que orienta a incineração somente dos materiais não recicláveis, prevendo a recuperação de energia no processo, o que evitaria a formação de novas fontes de emissão de gases de efeito estufa.

O processo é realizado em duas etapas. A primeira, chamada de pré-tratamento, consiste na separação dos resíduos recicláveis dos que serão incinerados, por uma cooperativa de catadores. A segunda etapa diz respeito à incineração propriamente dita. Nela, o forno é aquecido com gás por cerca de duas horas, até atingir uma temperatura de cerca de 900°C. Nesta temperatura, os resíduos são colocados no forno e sua incineração acontece com a energia combustível dos próprios resíduos, em geral, materiais orgânicos e plástico contaminado com material orgânico.

A queima de resíduos para a geração de eletricidade começa a ser uma opção para municípios no Brasil, como o de São Sebastião, onde estão licitando um sistema como este, em função da legislação ambiental, que obriga um destino adequado aos resíduos.

O gasto médio das prefeituras para a coleta e destinação correta dos resíduos urbanos é de R$150 por tonelada. Entidades empresariais, como o Instituto Socioambiental dos Plásticos (Plastivida) e a Associação da Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe) estão interessados no projeto e firmaram convênio para fazer estudos do potencial da geração de eletricidade a partir da queima de resíduos urbanos e industriais no Brasil.

No mundo, cerca de 51 milhões de MWh, por ano, são gerados nas 800 usinas de queima de resíduos sólidos. Na Europa, 420 usinas tratam mais de 50 milhões de toneladas de resíduos todos os anos, volume que gera 23,4 milhões de MWh, suficiente para suprir a demanda por energia elétrica de 7 milhões de residências europeias. O Japão é um país que investe fortemente neste tipo de destinação para seus resíduos, tendo 249 usinas funcionando, com expectativa de dobrar esse número nos próximos anos. Hoje, no país, são tratadas 40 milhões de toneladas de resíduos por ano, que proporcionam 11 milhões de MWh por ano em energia elétrica.
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