
Pesquisadores brasileiros desenvolvem simulador solar
Fonte: Jornal do Brasil - 25/08/2009 de Thiago Romero/Agência Fapesp
Aparelho testará resistência de materiais e filtros para a pele.
Pesquisadores do Laboratório Associado de Sensores e Materiais (LAS) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com a empresa Orbital Engenharia, de São José dos Campos, desenvolveram um simulador solar com componentes encontrados no mercado brasileiro.
Entre as aplicações do simulador estão a medição do desempenho elétrico de células solares de uso terrestre e de painéis de satélites, avaliação da durabilidade de materiais industriais diversos que sofrem degradação pela luz solar e testes de eficiência de bloqueadores solares dermatológicos.
– Esse equipamento tem inúmeras aplicações por ser capaz de reproduzir a luz do Sol em escala laboratorial. Ele reproduz tanto a luz solar antes do filtro atmosférico, emitida em ambientes extraterrestres e conhecida por espectro AM Zero, como a luz que chega até a superfície terrestre (espectro AM 1,5) – disse o engenheiro mecânico Célio Costa Vaz, diretor da Orbital.
O equipamento produzido pela empresa, que teve sua primeira unidade entregue recentemente ao Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), simula a radiação solar de modo contínuo por meio de um conjunto de lâmpadas refletoras adequadas às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Nomeado Solsim, o simulador solar tem área de iluminação de 14 centímetros por 14 centímetros, enquanto os similares importados têm, em geral, capacidade de iluminar áreas de 10 por 10 centímetros.
Resistência à radiação
– Essa é a área útil que pode ser iluminada no plano de ensaio. O Solsim é capaz de iluminar uma área maior, mantendo a uniformidade e a intensidade padrão do espectro luminoso explicou. – Ele é utilizado, sobretudo, no desenvolvimento de novos materiais em que é necessário verificar a resistência às radiações infravermelha e ultravioleta, na indústria de tintas e vidros para ensaios de envelhecimento dos compósitos e em experimentos diversos em biotecnologia que requeiram continuamente a luz solar. Em termos técnicos, a radiação luminosa gerada pelo Solsim com espectro AM 1,5 tem intensidade de 1.000 watts por metro quadrado (W/m2), e de 353 W/m2 para o espectro AM Zero, sendo em ambos os casos com uniformidade no plano alvo melhor do que 10% e estabilidade temporal melhor do que 5%. – Isso significa que, durante o funcionamento do equipamento, propriedades como a composição espectral e a uniformidade da luz solar não variam em níveis maiores que essas porcentagens limite – disse Vaz. – A qualidade da luz solar reproduzida por esse tipo de equipamento é verificada por meio do desvio do seu espectro, da intensidade e da uniformidade, que são os três parâmetros normatizados do ponto de vista técnico.
De acordo com o diretor da Orbital, o Solsim tem custo bem menor se comparado a equipamentos importados equivalentes em termos de características de iluminação, estimados em U$ 50 mil. – Já o simulador nacional custa cerca de US$ 15 mil. A empresa, que atua no setor aeroespacial nas áreas de engenharia de sistemas de produtos aeroespaciais, suprimento de energia e no fornecimento de serviços especiais de engenharia de projeto e fabricação, já recebeu alguns pedidos de cotação para comercialização do simulador solar. – Estamos confirmando os pedidos de acordo com a nossa capacidade de produção.
A ideia é primeiramente consolidar o equipamento no mercado nacional para depois partir para a exportação – disse Vaz, que explica que o Solsim é o primeiro equipamento do gênero a ser produzido no Brasil com tecnologia nacional.
Criada em março de 2001 por Vaz, a Orbital contou com apoio do Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) para se tornar a primeira empresa brasileira qualificada a projetar, fabricar, montar e testar geradores fotovoltaicos para aplicações aeroespaciais, tendo produzido painéis solares de três satélites fabricados pelo Inpe. Os mais recentes foram destinados ao CBERS-2B (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) resultado de um programa de cooperação do Brasil com a China.
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