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As grandes oportunidades da Eficiência Energética

A Eficiência Energética (EE) consiste no bom emprego das tecnologias existentes, utilizando-se de processos e equipamentos que tenham o melhor desempenho na produção dos serviços com um menor consumo de eletricidade. Mas esse conceito, que tem sua raiz na termodinâmica, não é aplicado no Brasil, na escala em que deveria, pela maioria dos engenheiros, arquitetos e agrônomos.

Muitas empresas no País ainda não se atentaram para os vários benefícios da incorporação, nos seus processos de iniciativas, da EE. Quais sejam renovação do parque industrial de motores, atualização da tecnologia de iluminação, aumento do rendimento de caldeiras e fornos, utilização de co-geração em seus processos, melhor aproveitamento da cadeia de energia, controle em compressores para refrigeração e para ar comprimido, utilização de aquecimento solar em seus processos térmicos, etc. Todas essas iniciativas exigem investimentos, muitas vezes vultosos, mas que podem ser adiados, se a empresa tiver iniciativas com custo baixo ou nenhum custo, como implantar um Programa de Eficiência Energética (PEE), criando uma Comissão Interna de Conservação de Energia (CICE).

O PEE é constituído de três pilares, tendo a CICE como sua gestora: diagnóstico energético, controle de índices e comunicação do programa e seus resultados. A CICE teria como atribuições ajudar na definição da política do uso eficiente de energia; estabelecer metas e objetivos exeqüíveis, mensuráveis e administráveis; avaliar e elaborar diagnóstico da situação atual do consumo de energia da empresa; sugerir medidas do uso eficiente de energia; e difundir junto aos colaboradores a conscientização em relação à economia de energia.

Atualmente não existem muitas empresas em Goiás focadas na promoção da EE, as chamadas ESCOs, Empresas de Serviços de Conservação de Energia. Essas ajudam as outras empresas e as famílias a reduzir suas contas energéticas. Os clientes não precisam empregar nenhum dinheiro inicialmente, pois já existem linhas de financiamento para esses projetos, a taxas de juros relativamente baixas. A recompensa da ESCO vem de reter uma parte da poupança realizada pelo cliente na economia da energia.

Mas para se ter essas empresas em Goiás é preciso promover a formação de profissionais em EE, trazendo  para dentro das universidades, dos cursos de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, esses conhecimentos de Eficiência Energética.

A Regulamentação para Etiquetagem Voluntária do Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos, emitida pelo PROCEL Edifica, começará a funcionar em 2009, em caráter voluntário, e consiste na avaliação de edifícios concluídos ou em reforma e retrofit. O prédio é avaliado em três aspectos: envoltória (análise da cobertura, áreas de vidro, janelas, aberturas e vãos etc.), sistema de iluminação e sistema de condicionamento ambiental. Após cinco anos a iniciativa irá evoluir de etiquetagem para o selo (atestado de qualidade) e se tornará obrigatória.

Isso prova que um arquiteto precisará de todo esse conhecimento na sua profissão. Bem como as empresas do ramo da Engenharia Civil ver-se-ão obrigadas a oferecer esse serviço, pois já está em regulamentação a etiquetagem para edificações residenciais.

No atual modelo de agronegócio que vigora em Goiás, o consumo de energia é intenso. Na agricultura, onde são utilizados intensamente os processos de irrigação, ocorrem vários desperdícios. Nas plantas das indústrias de alimentos cabem todas as eficientizações citadas. Tem-se então um campo ainda pouco explorado no Estado de Goiás e com um potencial de mercado bastante grande para investimento, que é o campo da Eficiência Energética, campo esse que exige soluções criativas e que promete ser rentável para o meio ambiente e para quem se aventurar a investir nele.

Eng. Me. Márcio Venício Pilar Alcântara

Publicado originalmente no INFORMATIVO DO SINDICATO DOS ENGENHEIROS NO ESTADO DE GOIÁS de Novembro de 2008
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